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Em Fevereiro deste ano, Eduardo dos Santos, presidente da República de Angola, recebeu em audiência, em Luanda, em plena luz do dia e sob os fachos dos holofotes dos média, Nzita Mbemba, filho de Nzita Tiago. Chegado a Luanda pela mão do embaixador Miguel Costa, Nzita Mbemba ficou assim confirmado como o próximo líder de mais uma aventura de negociatas que o mpla, o governo angolano e Eduardo dos Santos querem organizar nos próximos meses. Eduardo dos Santos não se envolveu directa e publicamente nas pseudo-negociações que levaram à assinatura do Memorando de Entendimento do Namibe, a 1 de Agosto de 2006. Antes daquele evento, recebeu Bento Bembe (duas ou três vezes), mas sempre pela calada da noite ou longe dos holofotes da comunicação social. Tratava-se de um balão de ensaio. A sua atitude e a sua posição oficial deviam depender do destino – sucesso ou insucesso – que este tivesse. Perante o insucesso daquela aventura (confirmado pela continuação da guerra), começou a dizer, nos bastidores, que Bento Bembe tinha enganado o governo angolano, apresentando-se como líder incontestável e representativo de todas as tendências e sensibilidades do nacionalismo de Cabinda. E, em Agosto de 2007, saiu do seu mutismo e admitiu pública e oficialmente, em Cabinda, que o memorando não era uma obra, isto é, um processo perfeito; que nos próximos meses, podia ser melhorado. Parece ter-se iniciado, com a visita de Nzita Mbemba a Luanda, o processo de melhoramento do memorando. Por isso, é lícito perguntar-se: Um processo intrínseco e totalmente mau pode ser melhorado? E, caso seja possível, pode-se melhorá-lo adoptando as mesmas estratégias, as mesmas tácticas, os mesmos truques, as mesmas fraudes que caracterizaram a etapa anterior? |