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Editorial
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CARTA ABERTA A MAWETE JOÃO BAPTISTA GOVERNADOR DE CABINDA
Vinte e dois de Maio, limiar do Dia-da-África, revelou a pobreza da política e a política pobre. Alessandro Manzoni declarava: A quem não se deu coragem, não pode tê-la. Nós, contudo, não precisamos de coragem por não termos de encher a alma para enfrentar uma legião de combatentes. Apenas homens de ideias, de convicções e, sem vergonha, cabindas. Senhor Governador, devíamos ter algo que nos unisse: o pertencermos a uma sociedade, talvez, a mesma. Isto implicaria mesmos direitos e deveres, maugrado funções diferentes. Esta condição, base do nosso operar, far-nos-ia seres da política e, mutatis mutandi, animadores conscientes da mesma. Vimos, no entanto, o que nos diferencia: enquanto o senhor é instrumento de uma política, nós somos frutos da consciência do ser-político. Daí V. Excia não precisar da criatividade que a política exige, porque, ao matar a política na sua essência sine qua non participativa, tornou-se um anti-politica. Isto faz de V. Excia um anti-cultura, um alérgico à história, um cego à evolução do mundo, um impenetrável ao diálogo, um incapaz de ler a história e, finalmente, um anti-cabinda primário. A criatividade da política engendra ideias. Estas abrem espaço ao intercâmbio, à evolução e à descoberta do OUTRO. Este não é um Objecto, mas Sujeito (Gabriel Marcel).
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Editorial
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Em Fevereiro deste ano, Eduardo dos Santos, presidente da República de Angola, recebeu em audiência, em Luanda, em plena luz do dia e sob os fachos dos holofotes dos média, Nzita Mbemba, filho de Nzita Tiago. |
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Editorial
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Dentro de algumas horas, o presidente angolano Eduardo dos Santos iniciará uma visita oficial a Portugal. Será uma ocasião especial para os dois países estreitarem as suas relações, balizarem a sua caminhada conjunta no domínio da cooperação e perspectivarem o futuro. Mas a oportunidade deverá também levá-los a aplanarem eventuais divergências e a recordarem o passado, pois não se pode preparar o futuro sem ter presente o passado. Infelizmente, ambos os países preferem esquecer grande parte do seu passado comum, sobretudo o da fraterna e colonização e o da consequente descolonização exemplar. Mas isso não impede que as relações actuais sejam excelentes. Pudera! Elas constroem-se sobre o dorso de Cabinda, cujo passado (da colonização/descolonização/recolonização exemplar) continua vivo, presente e actuante. Para os Cabindas, a visita de Eduardo dos Santos a Portugal será apenas o encontro do traidor e do algoz! O traidor é aquele que faltou à palavra e violou o acordo de protectorado. O algoz é o seu cúmplice que, imbuído de arrogância, intolerância, insensibilidade e crueldade, massacra os Cabindas, com a conivência daquele e da comunidade internacional. Angola e Portugal, mancomunados e solidários contra Cabinda, têm uma derradeira oportunidade para, olhos nos olhos e corações nas mãos, longe dos holofotes e do sensacionalismo dos meios da comunicação social, se deixarem humanizar, terem |
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Editorial
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PADRE JORGE CONGO
Caros Irmãos; O momento Urge. Indiscutivelmente o Povo de Cabinda vê-se dividido em duas partes: a diáspora e o interior. Duas situações com a mesma carga Patriótica, apesar de diferentes. A história ensina-nos que a diáspora foi sempre o lugar e o espaço para se repensar a cultura, cimentar a identidade e fomentar os sonhos do futuro. |
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